Tudo o que Paulo Cafôfo (PS) ofereceu a Rui Barreto (CDS-PP) para o convencer a fazer uma Geringonça à força, mas falhou. Descubra os cinco convites que o centrista rejeitou

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Sabemos tudo o que se passou nos bastidores da noite eleitoral na Madeira. Paulo Cafôfo lutou por uma Geringonça Regional até à última hora, e sempre sem contar com o deputado do PCP. Encerradas as urnas, Cafôfo convidou Rui Barreto não uma, mas cinco vezes para se reunirem. Conheça os convites do candidato do PS a que o líder CDS-PP Madeira deu tampa.

Texto Carlos Caldeira

O deputado independente Paulo Cafôfo, que concorreu às eleições regionais à frente da lista do Partido Socialista (PS), perdeu as contenda. Foi o segundo partido mais votado (35,76%), elegendo 19 deputados. Todavia, o derrotado festejou logo na noite eleitoral, anunciando que estava "disponível para liderar uma base de entendimento" com os partidos da oposição, para formar Governo na Região Autónoma. Ou seja, estava totalmente disponível para uma geringonça regional, mas em que PCP ficaria de fora.

“É o desafio que o PS propõe, naquilo que foram os resultados eleitorais: criar uma base de entendimento com os partidos da oposição e poder fazer e realizar e concretizar a mudança", disse publicamente o cabeça de lista do PS.

Segundo apurou o Insular de Notícias, antes destas declarações nas televisões, Paulo Cafôfo já tinha telefonado ao líder do JPP (Juntos Pelo Povo), Élvio Sousa, cujo partido está a ser investigado pelo Tribunal de Contas (TC) por ajustes directos milionários (cerca de um milhão de euros) na Câmara de Santa Cruz a um membro do próprio partido. O telefonema teve resultados positivos. Paulo Cafôfo podia juntar aos seus 19 deputados aos 3 eleitos do JPP.

Ainda assim, para ter a maioria absoluta no hemiciclo madeirense precisava de mais dois deputados.

Mesmo que o líder comunista, Edgar Silva, aceitasse uma solução deste tipo, a CDU apenas elegeu um deputado, Edgar Silca. Para chegar ao poder, Paulo Cafôfo precisava do apoio imprescindível dos 3 deputados eleitos pelo CDS.

TODA A HISTÓRIA DO ASSÉDIO PAULO CAFÔFO AO DIRIGENTES DO CDS

Após as declarações de disponibilidade para construir uma Geringonça Regional, ainda no meio do barulho dos festejos, Paulo Cafôfo telefonou ao líder do CDS-PP Madeira, Rui Barreto, a propor uma reunião logo na manhã do dia seguinte. A reunião foi de imediato recusada ao telefone.

Cafôfo, contudo, não desistiu. Os convites do cabeça de lista do PS a Rui Barreto continuaram, reiteradamente: Primeiro um almoço num restaurante bem conhecido no Funchal, depois um lanche numa pastelaria na Baixa funchalense, depois um simples café e 5 minutos de conversa, e, por fim, um café em casa de Cafôfo.

O líder centrista Rui Barreto recusou todos os convites. E face a especulações na comunicação social de que poderia ainda haver uma solução entre o CDS-PP e o PS para uma Geringonça Regional, Barreto afirmou, em declarações à Lusa, que o seu partido "não joga em dois tabuleiros", referindo-se a alegados entendimentos "à direita ou à esquerda", assegurando que as negociações com o PPD/PSD para um governo de coligação não são "um leilão".

"Eu não jogo em dois tabuleiros ao mesmo tempo, nem acho que isto deve ser um leilão de lugares. Isto não é um bazar de Marraquexe", afirmou Rui Barreto, acrescentando que "sempre disse que iria respeitar a vontade maioritária do povo".

Fontes ligadas ao PCP Madeira garantem ao Insular de Notícias que “o objectivo de Cafôfo era conseguir uma foto com o Rui Barreto e minar as negociações com o Miguel Albuquerque. A geringonça de Paulo Cafôfo nunca incluiria a CDU. Tentou, mas as coisas correram-lhe mal”.

Os deputados eleitos pelo PS-Madeira nas eleições do passado dia 22 deste mês reuniram-se entretanto pela primeira vez no final da semana. Paulo Cafôfo considerou que o acordo que se perspectiva entre o PSD e o CDS para a constituição do Governo é "um acordo frágil e que não consubstancia uma vontade de mudança nem uma alternativa de políticas governativas". "Ou seja, teremos mais do mesmo, as mesmas desigualdades, os mesmos vícios e, por isso, não auguro nada de bom", sustentou.

O PS, continua a garantir Paulo Cafôfo, está concentrado no trabalho parlamentar, mas também está preparado para construir uma alternativa sólida e estável de um futuro governo da Região.


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