“Queremos a Regionalização dos Portos da Madeira”, defende, em entrevista, Raquel Coelho, líder do PTP

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Quer a regionalização dos portos da Madeira como forma de baixar os preços dos fretes que as empresas da região pagam e reduzir o custo de vida dos madeirenses. Diz que os agricultores são vistos como “os desgraçados” sem direitos a fundos comunitários. Acusa o PS de ter traído a confiança do seu partido na coligação camarária Mudança e de ter excluído o vereador do PTP.

Texto Carlos Caldeira

O que diferencia o PTP dos restantes partidos de esquerda?

As nossas propostas assentam em matérias que já temos vindo a defender ao longo dos anos, com o simples objectivo de devolver os recursos e os destinos da Madeira a quem de direito, que é o seu povo trabalhador. Nos últimos 40 anos, a Região tem sido capturada por um conjunto de interesses empresariais que põe e dispõe dos políticos, dos partidos e do próprio aparelho de Justiça. É preciso devolver o Orçamento Regional ao seu povo. E temos um conjunto de medidas mais prioritárias para a dinamização da nossa economia.

E quais são?

A primeira passa pela regionalização dos Portos da Madeira, porque os portos estão a ser explorados por uma empresa privada, do Grupo Sousa, há mais de 20 anos, e que os explora sem pagar absolutamente nada. Se fosse a Região a fazer a exploração dos Portos da Madeira, sem recorrer a empresas privadas, isso iria diminuir os custos dos nossos portos, que estão a cobrar preços bem mais superiores do que no continente e nos Açores, o que nos faz perder competitividade, sobretudo ao nível das empresas. Achamos essencial que a Região tenha um ferry de transporte de mercadorias, de passageiros e de veículos que nos ligue ao continente. Tivemos o Navio Armas que fazia este trajecto quase gratuito, mas, agora as empresas privadas cobram o couro e o cabelo. É mais caro levar mercadorias, um contentor de Lisboa para a Madeira, do que de Lisboa para a China.

Como pode ser isso possível?

Não se trata apenas de uma questão de escala mas porque os preços praticados pelo fretes marítimos na Madeira são excessivos. Acontece porque praticamente não existe competitividade no sector.

Passemos agora aos impostos. O que defende o PTP?

Bem, reduzir impostos significa sempre menos investimento público, mas achamos que é preciso tirar a sobrecarga que os madeirenses têm em determinados bens que são essenciais e contribuem para o aumento do custo de vida dos cidadãos. Temos o custo de vida mais caro do País.

E na agricultura?

A agricultura tem de ser uma forte aposta da Madeira. É fundamental para a Região Autónoma da Madeira porque também a nossa paisagem agrícola é um grande cartão-de-visita para o turismo, por exemplo através dos famosos socalcos. Por outro lado, temos de proteger o nosso território dos famigerados incêndios.

Mas há apoios comunitários para ajudar os agricultores.

Pois, mas esses apoios devem ser distribuídos de uma forma completamente diferente e não como fazem, para comprar os votos dos agricultores em tempo de eleições. A agricultura é mais do que isso. Veja, os agricultores da Caldeira, na Câmara de Lobos, já são obrigados a comprar água a empresas privadas porque não há água nas canalizações. Pouco sobra para água de rega. Nunca se investiu na agricultura. O objectivo era fazer da Madeira uma grande praça financeira e esqueceram a agricultura. Não há apoios e a água de rega não chega. A Madeira continua a ter uma agricultura rudimentar precisamente porque nunca houve um investimento a sério. Até lhe relembro as declarações de Jaime Ramos, do PSD, na Assembleia Legislativa, que gostava de se gabar que a agricultura e a pecuária eram para regiões atrasadas como os Açores e não para a Madeira que é uma Região desenvolvida. Aqui, o agricultor é visto como um desgraçado.

Vamos então às pescas.

O sector do mar é um pouco mais complicado, mas acho que também tem de haver investimento na modernização da frota pesqueira, para evitar que navios naufraguem, tal como aconteceu recentemente. Todos os mecanismos de segurança e localização do barco falharam. Os pescadores salvaram-se num golpe de sorte.

Há a possibilidade de o PSD perder a maioria absoluta. O PTP, que já esteve coligado com o PS, está disponível para uma geringonça regional?

Não damos apoios a personalidades políticas. Se as nossas medidas estiverem salvaguardadas… logo se vê. Mas, no passado já apoiamos uma coligação com o Partido Socialista (PS), para a Câmara Municipal do Funchal, e assim que essas pessoas se apanharam no poder passaram a fazer o mesmo que os do PSD. Tivemos de sair da coligação Mudança. E até os nossos vereadores foram postos à parte, tendo retirado mesmo os pelouros que Gil Canha tinha na autarquia.


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