“O Hospital não avança porque à Geringonça faz-lhe jeito travar a construção, para revoltar o povo contra o Governo Regional”

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Em exclusivo ao Insular de Notícias, Roberto Vieira, candidato a deputado regional pelo partido R.I.R. (Reagir, Incluir e Reciclar), e uma das vozes mais críticas do estado a que chegou o arquipélago da Madeira, denuncia haver funcionários das autarquias na pré-campanha em vez de estarem no posto de trabalho; explica como acha que a Geringonça do Continente está a tramar a Madeira; e descreve um percurso que diz conhecer de Paulo Cafôfo

É verdade que viu pessoas ligadas a autarquias da Madeira, nomeadamente do Funchal, em acções de pré-campanha, em vez estarem nos seus postos de trabalho?

Sim, é uma realidade que nós constatámos, nomeadamente do que vemos na televisão. Nas imagens da RTP-Madeira temos visto funcionários das autarquias a participar nas pré-campanhas. Supostamente de baixa médica não estão. A única possibilidade que havia era a de estarem de licença sem vencimento ou de férias.

Mas se estiverem a receber o seu vencimento, sem estarem a trabalhar, estão a cometer um crime.

Exactamente. É isso que tem de ser averiguado, mas não me compete a mim averiguar. Têm de ser as autoridades a fazê-lo. Existe uma dúvida generalizada. Nós recebemos mensagens, quando levantámos estas supostas irregularidades, e a verdade é que as pessoas vêem e estão escandalizadas.

Quem são essas pessoas que diz aparecerem nas campanhas?

São pessoas que têm cargos de nomeação política nas câmaras, cargos de confiança política. Outros entraram e nós sabemos bem como é que aqui funciona, à custa de uma cunhazinha. Moralmente é inaceitável. Depois de tanta gente a criticar, depois de o R.I.R. ter denunciado e de outros partidos terem denunciado, andam a arranjar desculpas a dizer que as pessoas estão de férias ou de licença sem vencimento, quando sabemos que não é verdade.

Vão, ou não, apresentar queixa na CNE?

Através das imagens que surgem na comunicação social, já pedimos a intervenção da CNE para clarificar quem devia estar ao serviço e anda em campanhas. Tanto nisso, como na relação dos gastos de campanha que foram anunciados e que achamos ser um exagero.

Porque diz isso? Porque o PS diz que vai gastar 370 mil euros, o PSD 360 mil euros e até o Aliança diz que na Madeira vai gastar 140 mil euros.

Pois, o orçamento do Aliança para a Madeira deve estar errado. Os 140 mil euros devem ser é o valor total da campanha nacional, se não for é estranho.

Porque acha que se estará a gastar tanto dinheiro?

A ambição de querer chegar ao poder é tão grande, tão grande que já ninguém olha a meios. O PS, que toda a vida criticou na Madeira as campanhas loucas e de valores exorbitantes no tempo do Alberto João Jardim, vem agora este mesmo PS fazer campanhas milionárias, maiores do que aquelas que o Jardim fazia no passado.

E porque acha que isso está a acontecer?

Porque a sede de poder é muito grande. Esta questão do António Costa e da sua geringonça quererem tomar a Madeira à força é visível em temas como o novo hospital do Funchal, que só ainda não avançou no terreno porque à Geringonça do continente faz-lhe jeito travar ao máximo a sua construção. O novo hospital só tem servido para revoltar a população contra o Governo Regional. Nestas questões é sempre o Governo Regional que leva por tabela.

E o Governo Regional não tem também culpa por o hospital não avançar?

É verdade que o Governo Regional tem a sua quota de responsabilidade. Houve muitas formas de solicitar o subsídio para o apoio na construção deste hospital, e no passado provavelmente falharam o pedido deste apoio. Houve falhas com o Governo anterior, talvez por causa da Troika. Mas agora só não temos o novo hospital porque faz jeito ao PS pôr o povo contra o Governo Regional. Isto sempre pensando em chegar ao poder de qualquer forma e a qualquer preço.

Acha que a Madeira está a ser intencionalmente bloqueada pelo Governo de Lisboa?

Muito bloqueada. Basta ver a questão da mobilidade, o novo hospital. O Governo Regional até parece que se mexe. Agora, não há dúvida de que existe uma intenção muito grande do Governo Nacional de bloquear tudo para que população da Madeira fique contra este Governo Regional e assim ser mais fácil, com uma nova Geringonça na Madeira, chegar ao poder.

Acha então que é possível uma Geringonça na Madeira?

A Geringonça na Madeira é possível porque temos aqui coisas muito esquisitas. Quando o CDS anuncia que existe a possibilidade de fazer coligação com o PS na Madeira, é quase uma coisa contranatura. A esquerda está toda unida na candidatura do PS.

Isso acontece porque os partidos de esquerda acreditam em Paulo Cafôfo por ele ser independente?

Independente, esse homem? Esse homem de independente não tem nada.

Não tem? Ele não é filiado no PS.

O Cafôfo era um homem que veio do PSD...

Do PSD? Como assim?

No passado era próximo do PSD, só não era militante.

Também não é militante do PS.

Não é porque lhe faz jeito ser independente. Neste momento, se ganhar as eleições, no dia seguinte faz-se logo militante do PS. Sendo independente do PS dá-lhe jeito porque se aproxima de vários eleitorados, que, no benefício da dúvida, podem votar Cafôfo. Mas ele só é independente porque lhe dá jeito.

O Roberto já esteve no PS e sabe como as coisas funcionam nos partidos. O Roberto já foi socialista, ou não?

Sim, eu fui, e o Paulo Cafôfo não é, era um sindicalista, era presidente do Sindicato dos Professores da Madeira. Cafôfo foi sempre aquele tipo de sindicalista que nós não sabíamos se era de esquerda, se era de direita, mas era um homem muito próximo e que idolatrava o Dr. Jardim, o homem que governou a Madeira durante quase 40 anos. E não pensem que o professor Paulo Cafôfo foi a primeira opção para candidato à Câmara do Funchal, foi a terceira.

A terceira opção? Como assim?

Na primeira coligação foi a terceira opção do PS. O padre José Luís Rodrigues, da paróquia de São Roque, foi convidado, ponderou durante uns dias e depois declinou a favor da Igreja. A segunda opção foi o Dr. Raimundo Quintal, um ambientalista ferrenho da nossa região, um homem defensor de causas, que rejeitou o convite na hora. E foi então que apareceu a opção Paulo Cafôfo.

Foi terceira opção e teve o mérito de ganhar a Câmara.

Pegou, como provavelmente qualquer um dos outros dois pegariam, porque havia então uma grande sede de mudança aqui no Funchal.


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